Orquestra Barroca da UNIRIO se apresenta na Sala Mário Tavares


A orquestra que hoje se apresenta é mais do que um grupo musical: é um verdadeiro celeiro de músicos. Aqui, pessoas de diversas idades, trajetórias e experiências se encontram unidas pela música. Nossa formação reúne jovens estudantes, músicos amadores dedicados e profissionais
experientes, em um ambiente de aprendizado mútuo, troca generosa e construção coletiva. A diversidade do grupo — social, geracional e artística — é também refletida no programa desta noite. Dedicado ao período Barroco, ele oferece uma ampla amostragem de estilos, formas e nacionalidades que marcaram o século XVIII, um dos momentos mais ricos da história da música ocidental. Este concerto é, portanto, uma viagem musical pela Europa do século XVIII — e também uma celebração do poder transformador da música como espaço de encontro, formação e expressão.

Um dos concertos mais célebres do repertório barroco, o Concerto BWV 1043 evidencia o extraordinário domínio de Johann Sebastian Bach sobre o diálogo entre solistas e conjunto. Os dois violinos não competem, mas se entrelaçam em permanente conversa, ora imitativa, ora complementar. O movimento central, de caráter contemplativo, apresenta uma das melodias mais expressivas do compositor, sustentada por um acompanhamento pulsante e delicado. Nos movimentos extremos, a energia rítmica e a escrita contrapontística criam uma sensação de fluxo contínuo e vitalidade.

No Concerto RV 100, Antonio Vivaldi explora com engenho a variedade de timbres ao reunir três solistas de naturezas distintas. O contraste entre o brilho do violino, a suavidade da flauta doce e a sonoridade grave do fagote cria uma paleta rica e dinâmica. O movimento lento oferece um momento de suspensão e lirismo, enquanto os movimentos rápidos evidenciam o estilo característico de Vivaldi, com ritmos vivos e estruturas claras. Menos conhecido hoje, Karl Kohaut foi um importante compositor da corte vienense. Seu concerto destaca um instrumento que raramente ocupa a posição solista nos períodos barroco e clássico: o contrabaixo. A obra explora tanto a agilidade quanto a expressividade do instrumento, alternando passagens virtuosísticas com momentos cantáveis. O resultado se revela surpreendente, que amplia nossa percepção das possibilidades do contrabaixo no século XVIII.

Os Concerts Royaux de François Couperin foram compostos para as apresentações na corte de Luís XIV e refletem o ideal francês de elegância e refinamento. Em vez do contraste dramático
típico do concerto italiano, encontramos aqui uma sucessão de danças estilizadas e movimentos característicos. Cada seção apresenta um caráter próprio — da solenidade inicial à leveza da siciliana — em uma música marcada pela sutileza, pelo ornamento delicado e pela clareza expressiva.

Prolífico e inventivo, Georg Philipp Telemann foi mestre em combinar influências nacionais diversas. Neste concerto, a formação pouco usual favorece um jogo de cores e texturas entre as flautas e o violino. O primeiro movimento já sugere um clima expressivo e introspectivo, contrastando com a vivacidade dos movimentos rápidos. A obra exemplifica o estilo galante emergente, com frases mais leves e diretas, sem abandonar a riqueza de invenção característica do compositor.

Serviço:
Orquestra Barroca da UNIRIO
Data: 22/06/26
Local: Sala Mário Tavares
Endereço: Av. Almirante Barroso, 14, Centro – RJ
Ingressos gratuitos, RETIRADA SOMENTE NO SITE http://theatromunicipal.rj.gov.br/